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Boa Vista,17/06/2026

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FIER leva empresários de Roraima à Venezuela em missão para ampliar negócios e retomar integração na fronteira

Comitiva com 30 empresários cumpre agenda em Puerto Ordaz com rodadas de negócios, visitas técnicas e avaliação de rotas logísticas para fortalecer a relação comercial entre Roraima e o mercado venezuelano


FIER leva empresários de Roraima à Venezuela em missão para ampliar negócios e retomar integração na fronteira Comitiva da FIER e empresários de Roraima durante missão empresarial em Puerto Ordaz, na Venezuela, em agenda voltada à retomada da integração comercial na fronteira.

A Federação das Indústrias do Estado de Roraima (FIER) iniciou nesta segunda-feira, 15 de junho, a Missão Empresarial Venezuela 2026, uma agenda estratégica que leva 30 empresários roraimenses a Puerto Ordaz, no estado Bolívar, com foco em prospecção comercial, ampliação de parcerias e retomada da integração econômica entre os dois lados da fronteira.

A ação é realizada em parceria com a Câmara Venezuelana Brasileira de Comércio e Indústria de Roraima e segue até o dia 18 de junho com uma programação voltada a negócios, logística e conhecimento de mercado.

A iniciativa chega em um momento em que o setor produtivo de Roraima volta a olhar para a Venezuela como um espaço relevante para circulação de mercadorias, expansão de relações empresariais e construção de novas oportunidades comerciais.

A missão foi desenhada justamente para transformar esse interesse em contato direto com empresas, estruturas produtivas e rotas logísticas que possam dar sustentação a uma nova fase da integração econômica regional.

Durante quatro dias, os empresários terão acesso a uma agenda que reúne cerimônia de abertura com autoridades e lideranças empresariais venezuelanas, rodadas de negócios com empresas previamente selecionadas, visitas técnicas a unidades produtivas e encontros voltados à análise de rotas estratégicas de transporte.

Na prática, trata-se de uma imersão pensada para oferecer ao empresariado roraimense uma visão mais concreta sobre o funcionamento do mercado venezuelano e sobre as possibilidades de circulação comercial a partir da fronteira.

O caráter estratégico da missão aparece logo no recorte do roteiro. Os participantes estão visitando plantas de produção de alumínio e ferro, indústrias madeireiras, fazendas de bovinocultura, laticínios, centrais de distribuição de alimentos, redes supermercadistas e complexos comerciais de grande porte.


A escolha desses setores não parece casual. Eles dialogam diretamente com interesses logísticos, industriais e comerciais de empresas roraimenses que buscam diversificar fornecedores, abrir novos mercados ou ampliar seu campo de atuação regional.

Mais do que uma viagem institucional, a missão funciona como tentativa de reorganizar uma relação comercial que já teve relevância histórica para Roraima e que agora volta a ser tratada como oportunidade concreta.

Em um estado com localização estratégica, fronteira terrestre consolidada e ligação direta pela BR-174, a aproximação com o estado Bolívar carrega um potencial que vai além do intercâmbio pontual. Ela pode reposicionar Roraima como ponto de entrada e circulação para negócios no norte da América do Sul.

A programação em Puerto Ordaz inclui ainda uma frente considerada decisiva pelos organizadores: a exploração logística. A comitiva terá contato com estruturas portuárias no Rio Orinoco e com operadores do setor, em uma tentativa de mapear rotas viáveis para alcançar não apenas outras regiões da Venezuela, mas também a Colômbia e as ilhas do Caribe.

Esse detalhe amplia significativamente o alcance da missão. O olhar não está restrito ao comércio bilateral imediato entre Roraima e Venezuela, mas a uma possibilidade mais ampla de inserção em circuitos regionais de distribuição.

A diretora corporativa da FIER, Almecir de Freitas, afirmou que a expectativa é de que a viagem produza resultados práticos e aproxime ainda mais os empresários dos dois lados da fronteira.

“Estamos embarcando para a missão empresarial Brasil-Venezuela com grandes expectativas.
O nosso sistema FIER organiza esse momento de retomada da relação comercial, juntamente com a Câmara de Comércio Brasil-Venezuela. Estamos felizes porque, certamente, traremos bons resultados das rodadas de negócios, das trocas de informações e dessa aproximação empresarial”, destacou.

A fala revela o tom da missão: menos protocolo e mais tentativa de reconstrução de pontes comerciais. Em vez de uma visita meramente institucional, a proposta é criar ambiente favorável para trocas objetivas, reuniões produtivas e prospecção de negócios que possam evoluir depois da viagem.

Isso ajuda a explicar por que a agenda foi estruturada com visitas de campo e encontros empresariais previamente organizados, evitando que a ação se limite a discursos genéricos sobre integração.

O empresário Dirceu Lanna, que atua no setor de logística e transporte, reforçou essa percepção ao projetar um cenário de retomada do fluxo comercial entre os dois países.

“O que espero dessa missão da FIER é a certeza de que vamos fazer bons negócios, principalmente na área de logística e transporte, que é a nossa atuação principal desde 1999, quando já operávamos com a Venezuela. Depois de tantos anos, esse reencontro com os empresários venezuelanos, lado a lado com os empresários brasileiros, me leva a acreditar que a importação e a exportação vão fluir em grande quantidade. Essa é a nossa esperança: realizar bons negócios”, afirmou.

A declaração de Dirceu ajuda a recuperar uma dimensão importante do tema. Para muitos empresários de Roraima, a relação comercial com a Venezuela não é novidade, mas uma retomada.

Houve um tempo em que o mercado vizinho era parte cotidiana da dinâmica econômica regional, especialmente para setores ligados a transporte, abastecimento e comércio transfronteiriço. A atual missão, nesse sentido, não inaugura do zero uma relação. Ela tenta reativar conexões interrompidas ou enfraquecidas por anos de instabilidade econômica, política e logística.

Essa memória empresarial da fronteira tem peso. Ela faz com que parte da comitiva não esteja indo à Venezuela apenas para descobrir um mercado novo, mas para reconhecer um espaço que já foi familiar e que agora volta a ser observado com expectativa. Isso tende a facilitar o diálogo, porque existe experiência acumulada, conhecimento prévio de rotas e histórico de circulação comercial entre os dois lados.

Ao mesmo tempo, o contexto atual é diferente. O mercado venezuelano passou por transformações profundas, e qualquer tentativa de retomada comercial exige leitura mais cuidadosa sobre consumo, capacidade produtiva, segurança logística e ambiente de negócios.

É por isso que a missão inclui visitas técnicas tão diversificadas. O objetivo não é apenas vender ou comprar, mas entender com mais precisão como esse mercado está operando hoje e quais nichos oferecem mais potencial para empresários de Roraima.

O empresário Arlisson Maia, proprietário da Perfil Maia Indústria e Comércio, descreveu a missão como oportunidade de ampliar conexões já existentes. Sua empresa fabrica forros de PVC e tem atuação consolidada no mercado venezuelano há oito anos.

“Viemos com o objetivo de prospectar novos clientes e avançar nas tratativas de importação e exportação de materiais. Queremos fortalecer a rede de contatos tanto na entrada quanto na saída de produtos. Já estamos presentes no mercado de lá e nosso propósito é mostrar o potencial que temos em Boa Vista, enriquecendo cada vez mais nosso portfólio”, explicou.

O depoimento mostra que a missão atende perfis diferentes de empresários. Há os que buscam reabrir canais, os que querem iniciar presença comercial e também os que já atuam na Venezuela e pretendem expandir a rede de contatos. Essa diversidade de interesses reforça o peso da agenda organizada pela FIER.

Ao reunir empresários com experiências e expectativas distintas, a missão se transforma em espaço de múltiplas oportunidades, da prospecção inicial à negociação mais avançada.

Outro ponto importante é a complementaridade econômica entre Roraima e o estado Bolívar. O release destaca a localização geográfica, o acesso terrestre pela BR-174 e a existência de voo direto como fatores que tornam a integração especialmente vantajosa.

Mas a geografia, sozinha, não basta. O que parece fortalecer a missão é justamente a percepção de que as economias regionais podem dialogar de forma prática, seja pela troca de mercadorias, seja pela articulação logística ou pela abertura de novos canais de distribuição.

Essa complementaridade pode beneficiar tanto quem busca fornecedores quanto quem procura mercado consumidor. Para Roraima, que ainda trabalha para ampliar sua base produtiva e fortalecer sua presença em rotas comerciais regionais, a aproximação com a Venezuela pode representar um ganho relevante em termos de escala, competitividade e circulação de mercadorias. Para os empresários, isso pode se traduzir em redução de custos logísticos, abertura de novos contratos e acesso a mercados que extrapolam o consumo local.

A visita ao porto do Rio Orinoco entra nesse cenário como uma das etapas mais estratégicas da missão. Ao avaliar a infraestrutura disponível e as possibilidades de escoamento por ali, a comitiva passa a observar não só a fronteira imediata, mas uma malha de conexões mais ampla.

Isso é especialmente significativo para um estado como Roraima, que historicamente enfrenta desafios logísticos e que pode se beneficiar da abertura de corredores alternativos para circulação de produtos.

A iniciativa também reforça o papel institucional da FIER como articuladora de oportunidades para o setor produtivo. Ao promover uma missão com esse perfil, a federação se posiciona não apenas como entidade representativa, mas como agente ativo na construção de pontes comerciais e de inserção regional.

Em parceria com a Câmara Venezuelana Brasileira de Comércio e Indústria de Roraima, a ação evidencia uma estratégia que busca transformar proximidade geográfica em vantagem econômica.

Num momento em que a economia de fronteira volta a ganhar espaço no debate regional, a Missão Empresarial Venezuela 2026 se apresenta como um movimento concreto em favor dessa retomada. Mais do que simbolismo diplomático, o que está em jogo é a tentativa de recolocar Roraima em um mapa de integração comercial mais ativo, aproveitando sua posição territorial e a possibilidade de diálogo com mercados vizinhos.

O resultado dessa agenda ainda dependerá das negociações abertas durante a viagem e da capacidade de transformar conversas em acordos efetivos. Mas o simples fato de uma comitiva com 30 empresários atravessar a fronteira com esse objetivo já sinaliza uma mudança de postura. Em vez de olhar a Venezuela apenas como país vizinho em crise ou desafio logístico, parte do empresariado de Roraima volta a enxergá-la como mercado, parceiro e rota estratégica.

Até o dia 18 de junho, a missão seguirá cumprindo seu roteiro em Puerto Ordaz. Ao final, o que se espera é que os empresários retornem não só com impressões positivas, mas com caminhos mais claros para a retomada do comércio, da logística integrada e da cooperação econômica entre Roraima e o mercado venezuelano.

Para um estado que busca ampliar sua competitividade e sua inserção regional, esse tipo de aproximação pode representar mais do que uma agenda empresarial. Pode ser o início de uma nova etapa nas relações econômicas de fronteira.




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