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Boa Vista,08/06/2026

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MPRR cobra medidas para destravar fila de cirurgias bariátricas na rede estadual de saúde

Recomendação à Sesau pede realização de procedimentos em pacientes aptos, relatório detalhado da fila e apuração de possível retenção indevida no andamento dos atendimentos


MPRR cobra medidas para destravar fila de cirurgias bariátricas na rede estadual de saúde Equipe médica realiza cirurgia em hospital da rede pública, em imagem que ilustra a discussão sobre a fila de procedimentos bariátricos no estado.

O Ministério Público do Estado de Roraima (MPRR) recomendou à Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) a adoção de medidas para regularizar o fluxo de cirurgias bariátricas na rede pública estadual. A iniciativa partiu da Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde após a identificação de falhas no andamento da fila de espera, baixa quantidade de procedimentos realizados neste ano e ausência de informações claras aos pacientes que aguardam pela cirurgia.

Segundo o MPRR, a apuração verificou a regularidade das cirurgias bariátricas feitas pelo Estado em 2026 e constatou que pacientes cadastrados aguardam há pelo menos um ano pelo procedimento de gastroplastia com derivação intestinal, sem receber explicações objetivas sobre os motivos que impedem a realização da cirurgia.

Os dados encaminhados pela própria Sesau mostram que, entre 1º de janeiro e 6 de abril deste ano, apenas quatro cirurgias bariátricas foram realizadas, enquanto 28 pacientes permaneciam na fila de espera.

O quadro levou o Ministério Público a expedir recomendação com uma série de providências voltadas à transparência, à regularidade e à celeridade no atendimento. Além da demora, a Promotoria também levou em consideração informações de que os responsáveis pela organização e realização dos procedimentos estariam, supostamente, retardando o andamento da fila de forma deliberada, além de alterar a ordem cronológica dos pacientes sem justificativa adequada ou critério clínico devidamente fundamentado.

Esse é o ponto mais sensível da recomendação. Em uma fila de atendimento de alta complexidade, a mudança na ordem dos pacientes sem base técnica clara pode comprometer o princípio da igualdade no acesso à saúde e levantar suspeitas sobre a condução do serviço público.

Por isso, o MPRR quer não apenas a aceleração das cirurgias, mas também explicações formais sobre a situação individual de cada paciente e apuração administrativa sobre possíveis irregularidades.

Na recomendação, a Promotoria determinou que a Sesau realize, no prazo de 60 dias, as cirurgias bariátricas de todos os pacientes que já estejam clinicamente aptos ao procedimento.

Também foi pedido que a secretaria apresente, em até 20 dias, um relatório detalhado com a situação individual de cada paciente que permanece na fila, indicando de forma fundamentada quais são os impedimentos técnicos ou clínicos para a realização ou eventual adiamento da cirurgia.

Outro ponto exigido pelo Ministério Público é a informação, também no prazo de 20 dias, da relação nominal dos médicos cirurgiões responsáveis pelas cirurgias bariátricas na rede pública estadual, acompanhada dos respectivos registros profissionais.

A medida busca dar mais transparência ao serviço e permitir melhor acompanhamento institucional sobre a estrutura disponível para a realização dos procedimentos.

Além disso, o MPRR recomendou que a Sesau apure administrativamente a suposta retenção intencional da fila de espera e possíveis alterações indevidas na ordem de atendimento. Nesse caso, a secretaria deverá comunicar ao Ministério Público, em até 60 dias, quais providências adotou e quais conclusões foram alcançadas.

Na recomendação, o promotor de Justiça Igor Naves ressalta que cabe ao poder público assegurar acesso adequado, transparente e igualitário aos serviços de saúde. O documento também destaca que os usuários do Sistema Único de Saúde têm direito a receber informações claras sobre sua condição e sobre os serviços ofertados pela rede pública.

A cobrança do Ministério Público se insere em um debate mais amplo sobre gestão de filas na saúde pública. Quando não há transparência sobre critérios, andamento dos procedimentos e justificativas para adiamentos, o paciente fica sem horizonte e o serviço passa a operar sob desconfiança.

No caso das cirurgias bariátricas, a espera prolongada pode agravar quadros clínicos, aumentar riscos e ampliar o impacto físico e emocional sobre quem depende do procedimento.

Ao fixar prazos e exigir informações detalhadas, o MPRR tenta dar objetividade a um problema que, até aqui, vinha sendo marcado por demora e falta de clareza. A recomendação não apenas pressiona pela realização das cirurgias, mas também tenta reorganizar o fluxo com base em critérios verificáveis e sujeição ao controle institucional.

O Ministério Público advertiu que o descumprimento das medidas poderá resultar na adoção de providências judiciais e extrajudiciais, incluindo o ajuizamento de ação civil pública. A Sesau terá até 80 dias para informar à Promotoria o cumprimento integral das determinações constantes na recomendação.

O caso agora entra em uma fase decisiva. Se a secretaria cumprir os prazos e apresentar respostas concretas, a fila poderá avançar com mais transparência e previsibilidade.

Se isso não acontecer, o impasse tende a migrar para uma disputa judicial mais ampla, com o Ministério Público buscando forçar na Justiça a regularização do serviço e a proteção dos pacientes que seguem aguardando atendimento.




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