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Boa Vista,08/06/2026

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Vendedor de cremosinho de Roraima conquista ouro duplo na Copa América de Jiu-jitsu, em Manaus

Anthony Martins, de 10 anos, venceu três lutas por finalização e subiu ao topo do pódio nas categorias com e sem quimono


Vendedor de cremosinho de Roraima conquista ouro duplo na Copa América de Jiu-jitsu, em Manaus Anthony Martins comemora ouro duplo na Copa América de Jiu-jitsu, em Manaus, após vencer três lutas por finalização nas categorias com e sem quimono. Foto: ASCOM/Team Leal

O pequeno Anthony Martins, de apenas 10 anos, colocou Roraima no topo da Copa América de Jiu-jitsu ao conquistar duas medalhas de ouro neste sábado, 6, em Manaus. 


O atleta roraimense venceu as disputas nas categorias Nogi e Gi durante o evento realizado no ginásio Amadeu Teixeira, na capital amazonense, e chamou atenção pelo desempenho dentro do tatame, onde encerrou três combates por finalização.


A conquista ganha ainda mais peso quando se olha para a trajetória do menino fora das competições. Anthony, conhecido também por vender cremosinho para ajudar a custear a carreira esportiva, viajou mais de 1.400 quilômetros no percurso entre Boa Vista e Manaus para disputar a competição. 



O esforço terminou com uma dobradinha dourada e com mais um capítulo marcante na história de um atleta que vem transformando dedicação em resultado.


A Copa América de Jiu-jitsu reuniu mais de 3 mil competidores de várias partes do país e foi promovida pela Federação Amazonense de Jiu-jitsu Esportivo. Em meio a um evento de grande porte, Anthony conseguiu se destacar com uma atuação segura e agressiva, vencendo dois combates no Nogi e um no Gi, todos por finalização.


Representante da academia Team Leal, o atleta é faixa cinza e foi graduado pelo professor Milson Leal. Dentro do tatame, mostrou intensidade, controle e maturidade competitiva acima da idade. Fora dele, voltou a dar uma lição de humildade ao dividir a vitória com quem acompanha e apoia sua caminhada.


“Foi um desafio incrível. Enfrentei oponentes duríssimos, mas consegui dominar o ritmo de cada luta. Entrei no tatame com muita confiança, mantendo a tranquilidade para pontuar na hora certa. Busquei a eficiência sempre e consegui fechar os combates com finalizações precisas. Graças a Deus, o resultado de tantos treinos veio no topo do pódio. 


Foram três lutas exigindo muita estratégia e dedicação, trago para casa duas medalhas de ouro. Essa vitória é de todos que torcem por mim e que me ajudam comprando cremosinho, se não fossem vocês esse momento não se tornaria realidade”, disse Anthony.


A fala do atleta resume a dimensão da conquista. Não se trata apenas de um bom resultado esportivo, mas de uma vitória construída com disciplina, sacrifício familiar e apoio coletivo. 


Anthony já vinha chamando atenção justamente por conciliar a rotina de treinos com a venda de cremosinho, usada como forma de ajudar nas despesas das viagens, inscrições e demais custos que cercam a vida de um atleta em formação.


Esse tipo de realidade é comum em modalidades individuais, sobretudo longe dos grandes centros esportivos. Em muitos casos, o talento precisa caminhar ao lado da criatividade para que o sonho continue de pé. 


No caso de Anthony, a venda de cremosinho virou mais do que uma alternativa para arrecadar recursos. Tornou-se símbolo de esforço, persistência e conexão com as pessoas que passaram a acompanhar sua jornada.


A conquista em Manaus também ajuda a reforçar o potencial do jiu-jitsu roraimense, que segue revelando jovens atletas em competições interestaduais e nacionais. Em um evento com milhares de inscritos, Anthony não apenas competiu. Ele venceu com autoridade, superou adversários da casa e voltou para Boa Vista com dois títulos que fortalecem ainda mais sua trajetória.


O desempenho chama atenção também pela idade. Com apenas 10 anos, Anthony já demonstra não só técnica, mas controle emocional em um ambiente de pressão. Em competições como a Copa América, em que o nível de exigência é alto e o volume de atletas é expressivo, manter tranquilidade, executar estratégia e definir combates exige mais do que força física. Exige concentração e confiança, atributos que o menino mostrou ao longo das lutas.


A vitória dupla em Manaus agora amplia a expectativa para os próximos compromissos do atleta. Anthony já tem pela frente uma sequência importante de competições. Entre os dias 12 e 14 de junho, ele disputará o Campeonato Brasileiro, em São Paulo. 


Depois, em julho, volta a lutar no Mundial, em Manaus, além de participar do Macuxi Invitational, em Boa Vista.


A agenda intensa mostra que a medalha conquistada neste fim de semana não representa um ponto de chegada, mas mais uma etapa de uma caminhada que segue em ascensão. 


Para um menino que vende cremosinho para se manter nas competições e que já transforma esforço em ouro, cada pódio parece ter um significado que vai além da medalha.


Em Manaus, Anthony Martins venceu no tatame. Mas também venceu como exemplo de disciplina, superação e compromisso com o próprio sonho. E, aos 10 anos, já começa a mostrar que sua história pode ir muito mais longe do que a distância entre Boa Vista e a capital amazonense.




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