Boa Vista Junina ganha espaços de memória para preservar história do arraial e da Maior Paçoca do Mundo
Novos ambientes abertos ao público na Orla Taumanan e no Centro de Artesanato Velia Coutinho convidam moradores e visitantes a reviver tradições, figurinos, conquistas e sabores do Maior Arraial da Amazônia
Espaços de memória do Boa Vista Junina foram abertos ao público para preservar a história do arraial e da Maior Paçoca do Mundo em Boa Vista. O Boa Vista Junina agora conta com dois novos espaços criados para guardar e contar a história de uma das maiores festas populares da capital. A Prefeitura de Boa Vista abriu ao público o Centro de Memória do Boa Vista Junina e o Lugar de Memória da Maior Paçoca do Mundo, ambientes pensados para preservar lembranças, valorizar tradições e aproximar moradores e visitantes da trajetória do Maior Arraial da Amazônia.
Mais do que uma exposição de objetos, os dois espaços funcionam como um convite para revisitar o que o arraial construiu ao longo dos anos. Entre figurinos, troféus, trajes de noivos, peças marcantes de apresentações e elementos ligados à produção da tradicional paçoca de carne seca, o visitante encontra fragmentos da memória afetiva de Boa Vista e de uma festa que já faz parte da identidade cultural da cidade.

A abertura dos espaços aconteceu na quarta-feira, 3, e reforça a proposta de transformar a história do Boa Vista Junina em patrimônio visível, acessível e vivo. Para quem já acompanhou o arraial em outras edições, a visita desperta lembranças. Para as novas gerações, é uma chance de conhecer mais de perto a dimensão cultural da festa.
“É um momento em que a gente preserva a nossa cultura, a cultura amazônica, a cultura nordestina e também a nossa culinária. O Boa Vista Junina já faz parte da história da cidade e esses espaços ajudam a contar essa trajetória”, afirmou o prefeito Marcelo Zeitoune.
A fala resume o espírito da iniciativa. O Boa Vista Junina não se consolidou apenas como um grande evento de entretenimento, mas como um espaço de encontro entre tradições, música, dança, culinária e identidade regional. Ao criar lugares dedicados à memória dessa festa, a prefeitura reforça que o arraial também é parte da história da cidade e da formação cultural de Boa Vista.
Centro de Memória reúne a história do arraial
Um dos espaços abertos ao público é o Centro de Memória do Boa Vista Junina, instalado no prédio da Intendência, na Orla Taumanan. O local foi criado para reunir registros, lembranças e elementos que ajudam a contar a evolução da festa desde as primeiras edições até os dias atuais.
Com a exposição 'Arraial das Emoções, para sempre em nossos corações', o centro apresenta peças que marcaram a trajetória do evento e de quem ajudou a construí-lo. Estão entre os destaques trajes de noivos, abadás, troféus e figurinos usados em apresentações que fizeram parte da história do arraial, como os do apresentador oficial do Boa Vista Junina, Chiquinho Santos.

Cada objeto ajuda a reconstruir um pouco da memória do evento. Os figurinos, por exemplo, mostram como o arraial foi crescendo em beleza, criatividade e identidade visual. Os troféus lembram disputas, conquistas e a dedicação dos grupos folclóricos. Já os trajes de noivos remetem a um dos momentos mais simbólicos das quadrilhas, que sempre misturaram emoção, espetáculo e tradição.
O Centro de Memória também cumpre um papel importante ao aproximar as novas gerações dessa história. Ao transformar a trajetória do arraial em exposição, o espaço ajuda a fortalecer o sentimento de pertencimento e a valorizar o trabalho de milhares de pessoas que, ao longo dos anos, participaram da construção do Boa Vista Junina, entre quadrilheiros, artistas, músicos, apresentadores e profissionais dos bastidores.
Paçoca ganha espaço próprio na memória da festa
A segunda novidade é o Lugar de Memória da Maior Paçoca do Mundo, instalado no Centro de Artesanato Velia Coutinho. O espaço foi criado para homenagear um dos símbolos mais conhecidos do Boa Vista Junina: a paçoca de carne seca, que em 2024 entrou para o Guinness World Records.
O reconhecimento internacional transformou a paçoca em um dos maiores orgulhos gastronômicos da festa, e o novo ambiente surge justamente para dar visibilidade a essa conquista. O espaço destaca a importância da culinária regional como parte essencial da identidade cultural de Boa Vista e mostra como a gastronomia também ocupa lugar central dentro do arraial.
No local, o visitante encontra objetos de barro e alimentos ligados à produção da paçoca, como a farinha de mandioca, apresentada em um tacho no centro do espaço. A composição foi pensada para valorizar não apenas o recorde conquistado, mas também a tradição envolvida na preparação desse prato tão presente na memória afetiva dos moradores.
A ideia é mostrar que a paçoca vai além de um alimento servido durante a festa. Ela representa saberes, sabores, identidade regional e a força da culinária local como expressão cultural. Ao ganhar um espaço de memória, a tradição também passa a ser contada, registrada e compartilhada com quem visita o arraial ou quer entender melhor a cultura de Boa Vista.
Além da parte expositiva, o ambiente também conta com as tradicionais lojas de artesanato, onde são comercializados colares, ímãs, roupas, bolsas, anéis e outros produtos. Com isso, o espaço amplia a experiência do público e reúne memória, gastronomia e artesanato em um mesmo local.
Visitação segue até o fim de junho
Os dois espaços foram criados para fortalecer a conexão da população com a própria história e seguem abertos para visitação até o dia 30 de junho, sempre das 12h às 18h, com entrada gratuita.
Para a superintendente da Fundação de Educação, Turismo, Esporte e Cultura, Alda Amorim, os ambientes ajudam a reforçar a identidade cultural da cidade. “São lugares que contam a história da nossa cultura, dos grupos folclóricos e também da nossa gastronomia. É uma oportunidade para que moradores e visitantes conheçam mais sobre as tradições que fazem parte da nossa identidade”, destacou.

A criação desses lugares de memória mostra que o Boa Vista Junina já ultrapassou há muito tempo a condição de evento sazonal. A festa se tornou referência cultural, afetiva e turística, e agora passa a ter também espaços permanentes dedicados a guardar sua história.
Para quem viveu o arraial em diferentes fases, a visita é uma chance de reencontrar personagens, símbolos e momentos marcantes. Para quem está conhecendo agora, é uma oportunidade de entender por que o Boa Vista Junina se transformou em um dos maiores patrimônios culturais de Boa Vista.
No fim das contas, os novos espaços ajudam a reafirmar o que a cidade já sente há anos: o Boa Vista Junina não é apenas uma festa. É memória, tradição, pertencimento e uma parte viva da história da capital.





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