Festival das Escolas do Campo encerra edição com premiação e valorização da cultura regional em Boa Vista
Evento reuniu cerca de 260 alunos de cinco escolas municipais na região do Murupu, com disputas esportivas, inclusão da baladeira e entrega de troféus e medalhas
Estudantes participam da 8ª edição do Festival Esportivo das Escolas do Campo, encerrado com premiação e valorização da cultura regional na região do Murupu, em Boa Vista. Foto: Semuc A 8ª edição do Festival Esportivo das Escolas do Campo foi encerrada nesta sexta-feira, 15, em Boa Vista, com a entrega de troféus e medalhas aos estudantes classificados entre o 1º e o 5º lugar em cada modalidade. Realizado na Escola Municipal José David Feitosa, na região do Murupu, o evento reuniu cerca de 260 alunos de cinco unidades da rede municipal em uma programação voltada ao esporte, à integração escolar e à valorização das tradições do campo.
Com o tema “Um Tesouro Escondido das Escolas do Campo”, o festival reforçou a proposta de aproximar práticas esportivas, identidade cultural e convivência entre estudantes da zona rural. A escolha da Escola Municipal José David Feitosa como sede esteve ligada ao destaque da unidade no ensino municipal, especialmente por funcionar em tempo integral. A programação reuniu alunos, professores, gestores e equipes escolares em um ambiente de competição, troca de experiências e reconhecimento do cotidiano das comunidades do campo.
A secretária municipal adjunta de Educação, Meiry Jane Gomes, avaliou positivamente o resultado do evento e destacou o papel da iniciativa no desenvolvimento da comunidade escolar. “O evento foi um sucesso. Proporcionou interação, aprendizado e alegria para as crianças, professores e gestores, demonstrando o compromisso da prefeitura em oferecer projetos que impulsionem o desenvolvimento e a integração da comunidade escolar do campo”, afirmou.
Participaram desta edição as escolas municipais José David Feitosa, Leila Maria da Silveira, Aureliano Soares da Silva, Maria de Lourdes Abreu e Balduíno Wotrich. Ao longo da programação, os estudantes disputaram modalidades como futsal, queimada, chute ao gol, arremesso ao alvo e cabo de guerra. O festival manteve o perfil esportivo, mas ampliou o alcance ao incorporar elementos ligados ao modo de vida das comunidades rurais e indígenas.
Um dos principais destaques deste ano foi a inclusão da baladeira entre as modalidades. A prática, tradicional em áreas do campo e em comunidades indígenas, entrou na programação como forma de resgatar brincadeiras e habilidades presentes no cotidiano dos alunos. Para o gerente de Educação Física, Admilson Nascimento, a proposta foi justamente aproximar a competição da realidade vivida pelas crianças fora da escola.
“Nossa proposta também foi resgatar, durante o festival, as brincadeiras tradicionais que as crianças já praticam em suas casas. Além disso, aumentamos a faixa etária até os 13 anos, para os estudantes do 6º ano. O bom é que todas as crianças saem com suas premiações”, ressaltou.
A ampliação da faixa etária até os 13 anos ajudou a envolver também estudantes do 6º ano e deu à programação um alcance maior. Ao mesmo tempo, a garantia de premiação para todos os participantes reforçou o caráter inclusivo do festival, que buscou valorizar o esforço dos alunos e incentivar a participação mais do que concentrar atenção apenas nos vencedores.
Além do aspecto esportivo, o evento foi apresentado como uma ação pedagógica alinhada à Base Nacional Comum Curricular. Segundo a organização, o festival estimulou desenvolvimento motor e sensorial, além da relação dos alunos com o meio ambiente e com a cultura local. Na prática, a competição funcionou como extensão de conteúdos e vivências escolares, conectando esporte, educação e identidade regional em uma mesma proposta.

A escolha da Escola José David Feitosa como sede também teve um valor simbólico. A gestora da unidade, Célia Maria Soares, lembrou que a ideia do projeto surgiu em 2017 a partir de uma aluna da própria escola e que, até agora, a unidade ainda não havia tido a oportunidade de receber o festival.
“É um orgulho muito grande, porque a ideia partiu daqui e a escola ainda não tinha tido a oportunidade de receber. E hoje, com a estrutura que nós temos, é muito gratificante receber os jogos na nossa casa. O primeiro de muitos”, declarou.
Os resultados mostraram equilíbrio entre as escolas em várias modalidades, mas algumas unidades se destacaram em mais de uma disputa. No futsal feminino e masculino, por exemplo, a Escola Municipal José David Feitosa conquistou o primeiro lugar. Já a Balduíno Wotrich liderou em modalidades como queimada feminino e masculino, chute ao gol feminino e masculino e cabo de guerra masculino.
A Leila Maria da Silveira ficou em primeiro na baladeira feminina e no arremesso ao alvo feminino, enquanto a Maria de Lourdes Abreu venceu a baladeira masculina e o cabo de guerra feminino. No arremesso ao alvo masculino, o primeiro lugar ficou com a Aureliano Soares da Silva.
No atletismo, os resultados foram divididos entre José David Feitosa, vencedora no masculino, e Balduíno Wotrich, que ficou com o primeiro lugar no feminino. A diversidade de campeãs por modalidade reforçou o caráter competitivo do festival e mostrou distribuição de desempenho entre as escolas participantes.

Ao encerrar a edição deste ano com medalhas, troféus e reconhecimento coletivo, o Festival Esportivo das Escolas do Campo reafirmou seu espaço no calendário da educação municipal de Boa Vista. Mais do que promover jogos entre escolas, o evento consolidou uma proposta de integração entre esporte, formação e cultura regional, valorizando práticas que fazem parte da vida dos estudantes do campo e ampliando a presença dessas vivências dentro do ambiente escolar.





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