SESI-RR debate saúde mental nas empresas e orienta indústria sobre mudanças da NR-1
Fórum de Desenvolvimento Sustentável reuniu empresários e gestores em Boa Vista para discutir fatores psicossociais, saúde ocupacional e novas exigências da Norma Regulamentadora nº 1
Empresários, gestores e profissionais da indústria participaram do Fórum SESI de Desenvolvimento Sustentável, que debateu saúde mental nas organizações e as atualizações da NR-1. A saúde mental no ambiente de trabalho entrou definitivamente no centro do debate empresarial em Roraima. Nesta sexta-feira, 29, empresários, gestores e profissionais da indústria participaram, em Boa Vista, da primeira edição do Fórum SESI de Desenvolvimento Sustentável, promovido pelo Serviço Social da Indústria em Roraima.
O evento teve como foco orientar o setor produtivo sobre as atualizações da Norma Regulamentadora nº 1, a NR-1, que passa a incluir os fatores psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos das empresas.
Mais do que apresentar uma mudança técnica na legislação, o encontro colocou em pauta um tema que vem ganhando espaço no cotidiano das organizações: a necessidade de tratar saúde mental, liderança, bem-estar e prevenção como parte da própria sustentabilidade empresarial.
A proposta do fórum foi aproximar o empresariado de uma discussão que já não pode mais ser adiada. Com a nova redação da NR-1, as empresas passam a ter responsabilidade ampliada na gestão dos riscos ocupacionais, incluindo agora fatores ligados à sobrecarga emocional, às relações de trabalho e às condições psicossociais que afetam diretamente trabalhadores e produtividade.
A atualização exige preparo, revisão de processos internos e, principalmente, mudança de cultura dentro das organizações. Nesse contexto, o SESI-RR reuniu especialistas e representantes da indústria para discutir caminhos práticos de adequação, conformidade legal e promoção de ambientes corporativos mais saudáveis.
Ao longo da programação, o fórum abordou temas ligados à saúde ocupacional, liderança corporativa, sustentabilidade organizacional e prevenção de riscos. O objetivo foi mostrar que a discussão sobre desenvolvimento sustentável, no ambiente industrial, já não se limita à pauta ambiental ou à redução de impactos produtivos.
Hoje, falar em sustentabilidade também significa olhar para as pessoas, para o clima organizacional e para a capacidade das empresas de construir estruturas de trabalho que reduzam adoecimento e ampliem segurança emocional.
Uma das palestrantes convidadas foi a consultora e especialista em ESG Lorë Kontiski, que apresentou reflexões sobre os impactos das transformações sociais e organizacionais na saúde mental. Durante a participação, ela chamou atenção para o fato de que os princípios ESG não se restringem à agenda ambiental.
“O social e a governança também envolvem o cuidado com as pessoas, a promoção de ambientes de trabalho saudáveis e o olhar atento à saúde mental dentro das organizações, especialmente em um cenário de constantes transformações”, ressaltou.
A fala ajuda a explicar uma mudança importante no olhar das empresas sobre o próprio funcionamento. Durante muito tempo, saúde mental no trabalho foi tratada como assunto periférico, restrito a ações pontuais ou a contextos de crise. Agora, o tema passa a integrar de forma mais objetiva a agenda regulatória e de gestão. Isso significa que fatores como pressão excessiva, relações desgastadas, sobrecarga, ambiente hostil e ausência de apoio institucional deixam de ser apenas problemas de convivência e passam a ser compreendidos também como riscos ocupacionais que exigem monitoramento e resposta.
No campo técnico, o ergonomista do SESI-RR, Leôncio Batista, detalhou a aplicação prática da NR-1 no setor industrial e destacou a importância de que as empresas adotem medidas concretas para prevenir os riscos psicossociais. “A proposta é orientar empresários e colaboradores sobre como cumprir essa norma de maneira eficaz, garantindo conformidade com a legislação trabalhista e prevenindo problemas relacionados à saúde mental e à sobrecarga emocional”, explicou.
A mudança, na prática, exige que as empresas passem a identificar, avaliar e gerenciar fatores que podem comprometer a saúde emocional dos trabalhadores. Isso amplia a noção tradicional de risco ocupacional, historicamente mais associada a acidentes físicos, exposição a agentes nocivos ou condições ergonômicas inadequadas. Com a nova perspectiva, o ambiente de trabalho passa a ser analisado também sob a ótica das tensões subjetivas e organizacionais que afetam o desempenho, a qualidade de vida e a permanência saudável no emprego.
Durante o evento, o SESI-RR também apresentou soluções próprias para apoiar as empresas nesse processo de adaptação. As medidas incluem suporte na gestão de fatores psicossociais, no desenvolvimento de lideranças e na implementação de ações preventivas ligadas à saúde ocupacional. Ao colocar essas ferramentas à disposição do setor produtivo, a instituição busca atuar não apenas como difusora de informação, mas também como parceira técnica das empresas diante da necessidade de reorganizar práticas internas.
A presidente da Federação das Indústrias do Estado de Roraima e diretora regional do SESI-RR, Izabel Itikawa, destacou que o papel da instituição é justamente oferecer informações qualificadas para que o empresariado compreenda o alcance das mudanças. “Hoje, falar de sustentabilidade na indústria também é falar sobre saúde mental ocupacional, bem-estar e responsabilidade com os trabalhadores”, afirmou.
A declaração sintetiza um movimento mais amplo, em que o conceito de competitividade industrial passa a incorporar dimensões humanas de forma mais evidente. Em um cenário de transformações aceleradas no mundo do trabalho, produtividade e responsabilidade social deixam de ser agendas separadas.
A empresa que não compreende a centralidade da saúde mental corre o risco de enfrentar aumento de afastamentos, queda de desempenho, conflitos internos e desgaste de imagem institucional. Por outro lado, organizações que investem em prevenção e ambiente saudável tendem a ganhar em retenção, engajamento e sustentabilidade de longo prazo.
A gerente de Saúde e Segurança na Indústria do SESI-RR, Waldeth Gondim, reforçou que a nova redação da NR-1 amplia de forma concreta a responsabilidade empresarial. “A partir de agora, as empresas precisam fazer a gestão desses fatores dentro dos ambientes de trabalho. O SESI está preparado para apoiar a indústria nesse processo”, destacou.
Essa fala é relevante porque mostra que a discussão não está mais no campo da possibilidade, mas da obrigação. Não se trata apenas de aderir a uma tendência moderna de gestão, e sim de se adequar a uma exigência normativa que terá impacto direto sobre o cotidiano das empresas. Isso envolve mapear situações de risco, revisar condutas, treinar lideranças e criar mecanismos internos de prevenção e acolhimento. A saúde mental, nesse sentido, deixa de ser apenas tema de palestra e passa a ocupar lugar formal nas rotinas de gerenciamento.
A recepção positiva do evento por parte do setor empresarial foi destacada por participantes. A coordenadora de RH da Serra Verde Agroindústria, Silvia Damasceno, avaliou a iniciativa como importante oportunidade de revisão das práticas já adotadas pelas empresas. “O maior patrimônio de uma empresa são as pessoas. Este evento é importante para avaliarmos o que já está sendo feito e o que ainda pode ser aprimorado”, pontuou.

O comentário revela como o tema já encontra eco entre profissionais da área de gestão de pessoas. Para esse setor, a nova NR-1 pode funcionar como impulso para fortalecer políticas internas que muitas vezes já estavam em construção, mas careciam de respaldo técnico ou prioridade institucional. Em vez de apenas reagir à legislação, algumas empresas podem aproveitar a mudança para reorganizar seus processos com mais consistência, aproximando compliance, bem-estar e desempenho organizacional.
O Fórum SESI de Desenvolvimento Sustentável também reforça uma nova leitura sobre o que significa desenvolvimento sustentável dentro das organizações. Ao associar sustentabilidade à saúde mental e à governança corporativa, o evento amplia o entendimento tradicional do tema e aproxima o debate da realidade concreta do trabalhador. Isso é especialmente importante em ambientes produtivos em que metas, pressão, jornadas intensas e relações hierárquicas podem se tornar fontes de desgaste emocional quando não são administradas de forma responsável.
Mais do que apresentar uma obrigação legal, o encontro procurou mostrar que o cuidado com os fatores psicossociais pode ser tratado como estratégia de gestão. Ambientes mais saudáveis tendem a produzir menos afastamentos, menos conflitos, menos rotatividade e mais capacidade de resposta institucional. Em um cenário econômico em que a competitividade depende também da qualidade da gestão interna, esse tipo de abordagem ganha peso entre empresas que buscam equilibrar resultado e responsabilidade.

Outro ponto importante do debate foi o papel da liderança. Quando o tema da saúde mental entra no campo regulatório, não basta apenas criar protocolos formais ou documentos internos.
É preciso que as lideranças compreendam como suas práticas diárias influenciam o clima organizacional e o nível de exposição dos trabalhadores aos riscos psicossociais. Chefias despreparadas, comunicação agressiva, cobrança desproporcional e ausência de escuta são exemplos de fatores que podem comprometer a saúde ocupacional tanto quanto condições físicas inadequadas.
Nesse contexto, o SESI-RR posiciona o fórum como parte de uma agenda institucional mais ampla, voltada ao fortalecimento da competitividade industrial a partir da promoção da saúde, segurança e sustentabilidade nas empresas. A primeira edição do evento sinaliza que o tema deverá permanecer em evidência, especialmente à medida que as empresas avancem no processo de adequação às novas exigências da NR-1.

Em Roraima, o fórum serviu como ponto de partida para uma discussão que tende a se intensificar. A inclusão dos fatores psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos representa um passo importante na consolidação de uma política de saúde ocupacional mais abrangente, que reconhece o trabalhador em sua dimensão física, emocional e social. Ao reunir empresários, especialistas e profissionais da indústria, o SESI-RR procurou antecipar esse debate e oferecer orientação em um momento decisivo de transição.
O resultado foi um encontro que colocou em perspectiva uma mudança de paradigma. Se antes saúde mental era vista como tema lateral, agora ela passa a ocupar lugar central na relação entre empresa, legislação e gestão. O Fórum SESI de Desenvolvimento Sustentável mostrou que, para além do cumprimento formal da norma, a nova etapa exige disposição real para rever estruturas, práticas e culturas organizacionais. Em um mercado cada vez mais pressionado por desempenho, inovação e responsabilidade, cuidar da saúde mental no trabalho deixou de ser diferencial. Passa a ser condição de permanência, de legalidade e de sustentabilidade.





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