Projeto Poderosas da Amazônia fecha ciclo com 19,2 mil profissionais capacitados e reconhecimento a instituições em RR
Seminário realizado em Boa Vista apresentou resultados de dois anos de atuação no Amazonas e em Roraima, com foco em saúde sexual e reprodutiva, proteção contra a violência e fortalecimento de organizações de mulheres
Seminário de encerramento do Projeto Poderosas da Amazônia reuniu representantes e lideranças em Boa Vista para apresentar resultados e discutir direitos, autonomia e saúde sexual e reprodutiva. Foto: Divulgação/UNFPA O Projeto Poderosas da Amazônia encerrou dois anos de atividades com mais de 19,2 mil profissionais das redes públicas de saúde e assistência social capacitados e ações voltadas à ampliação do acesso à saúde sexual e reprodutiva, prevenção da violência de gênero e fortalecimento de organizações lideradas por mulheres. O balanço foi apresentado durante seminário realizado na quinta-feira, 27, no Hotel Aipana Plaza, em Boa Vista.
Promovido pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e pela Embaixada da França no Brasil, o encontro reuniu representantes governamentais, especialistas, organizações da sociedade civil e lideranças femininas do Amazonas e de Roraima.
Sob o tema “Poderosas da Amazônia: Direitos, Autonomia e Saúde Sexual e Reprodutiva”, a programação apresentou os resultados acumulados pelo projeto nos dois estados, com prioridade para mulheres em situação de vulnerabilidade, entre elas indígenas, ribeirinhas, negras, migrantes e refugiadas venezuelanas.
O encerramento também incluiu a entrega do Selo UNFPA a instituições municipais e estaduais reconhecidas pelo cumprimento de indicadores relacionados à melhoria da gestão pública e à redução da mortalidade materna.
Capacitação alcançou redes de saúde e assistência
Entre os principais resultados apresentados está a capacitação de mais de 19,2 mil profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) e do Sistema Único de Assistência Social (SUAS).
As formações foram desenvolvidas em parceria com a Fiocruz Amazônia e a Escola Nacional de Administração Pública (ENAP). Segundo o balanço apresentado, mais de 15,4 mil certificações foram emitidas em ações de formação permanente realizadas no país.
A estratégia buscou ampliar a capacidade de atendimento das redes públicas especialmente em situações que envolvem saúde sexual e reprodutiva, proteção social e atendimento a mulheres em condições de maior vulnerabilidade.
Na área de saúde reprodutiva, as equipes envolvidas no projeto realizaram 1.422 atendimentos individuais e mais de 1,2 mil procedimentos de inserção de métodos contraceptivos reversíveis de longa duração, como dispositivos intrauterinos e implantes subdérmicos.
Essas ações foram realizadas dentro da rede pública de atenção básica.
Mais de 14 mil mulheres alcançadas por ações contra a violência
Outro eixo do projeto esteve voltado à prevenção e ao enfrentamento da Violência Baseada no Gênero.
O balanço apresentado durante o seminário aponta que mais de 14,6 mil mulheres foram diretamente alcançadas por atividades de prevenção, orientação e acolhimento.

A atuação envolveu também a articulação das redes responsáveis por receber, orientar e encaminhar mulheres em situação de violência.
Como parte desse trabalho, foram desenvolvidos cinco Protocolos Operacionais Padrão (POPs) voltados à articulação das redes de proteção.
Além disso, cinco cursos de educação a distância foram estruturados para permanecer disponíveis de forma contínua em plataformas do Governo Federal, permitindo que parte das ferramentas criadas pelo projeto continue sendo utilizada mesmo após o encerramento formal da iniciativa.
Organizações de mulheres recebem fortalecimento institucional
O projeto também atuou diretamente com organizações da sociedade civil.
Ao todo, 22 organizações e coletivos liderados por mulheres indígenas, negras, ribeirinhas e migrantes receberam apoio técnico em áreas como gestão institucional, captação de recursos e defesa de direitos.
O fortalecimento dessas organizações contou com suporte do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) e de consultorias especializadas.
A estratégia buscou ampliar a autonomia das próprias organizações para que possam continuar atuando nos territórios e participando da formulação e acompanhamento de políticas públicas.
Durante o encontro, a representação francesa ressaltou a importância do apoio direto às organizações feministas.
“A França tem a convicção que o apoio a organizações feministas da sociedade civil é mais necessário do que nunca. Financiar um projeto no Brasil é importante para que aprendamos como lidar com os problemas similares que temos na França”.
Compromisso pela continuidade das políticas
Na etapa final do seminário, representantes de governos e organismos internacionais participaram do ato simbólico “Compromisso pela Amazônia com Direitos”.
A iniciativa teve como objetivo reafirmar a continuidade das políticas e ações de saúde, proteção social e garantia de direitos implementadas ou fortalecidas ao longo dos dois anos de projeto.
Na sequência, ocorreu a cerimônia de entrega do Selo UNFPA.
A premiação reconheceu instituições municipais e estaduais do Amazonas e de Roraima que alcançaram indicadores relacionados à melhoria da gestão e às ações de enfrentamento da mortalidade materna.
O encerramento da programação teve ainda uma apresentação cultural do grupo indígena Warao Jojomo Warao Orikuare.
Atuação do UNFPA
O Fundo de População das Nações Unidas é a agência das Nações Unidas voltada à saúde sexual e reprodutiva.
Entre as áreas de atuação estão a defesa dos direitos reprodutivos, a redução da mortalidade materna, a prevenção da violência baseada em gênero e políticas destinadas a adolescentes e jovens.
Com o encerramento do Poderosas da Amazônia, parte do legado do projeto permanece nas capacitações realizadas, nos protocolos desenvolvidos, nos cursos disponibilizados e nas redes de organizações e serviços públicos fortalecidas durante a execução da iniciativa.





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