Ministro das Comunicações visita escola de Boa Vista conectada por programa federal de internet nas salas de aula
Agenda em Roraima inclui conversa com estudantes e professores sobre os efeitos da conectividade no ensino e inauguração de um Ponto de Inclusão Digital
Dados do programa Aprender Conectado mostram o avanço da conectividade em escolas públicas de Roraima e Boa Vista. O ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, cumpre nesta quarta-feira, 2 de julho, agenda em Boa Vista com foco na conectividade nas escolas públicas. A visita será realizada na Escola Estadual Professora Maria das Dores Brasil, uma das unidades atendidas pelo programa Aprender Conectado, iniciativa voltada à oferta de internet de alta velocidade para instituições de ensino em todo o país.
A programação prevê uma roda de conversa com alunos, professores e gestores da escola, que devem relatar como o acesso à internet tem impactado a rotina pedagógica e ampliado as possibilidades de aprendizagem. A agenda também inclui a inauguração de um Ponto de Inclusão Digital e contará com a presença do diretor-geral do projeto Aprender Conectado, Flávio Santos.
A visita ocorre em um momento em que a conectividade passou a ocupar papel central no debate sobre qualidade da educação pública. Se antes o acesso à internet era tratado como complemento, hoje ele aparece cada vez mais como parte da infraestrutura básica de ensino, sobretudo em um cenário de expansão de plataformas digitais, conteúdos online e recursos pedagógicos mediados por tecnologia.
O ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, participa de agenda ligada ao programa Aprender Conectado, que amplia a conectividade em escolas públicas.

Em Roraima, os números do programa ajudam a dimensionar essa mudança. O Aprender Conectado prevê levar internet a 587 escolas públicas no estado, das quais 209 já tiveram a implantação concluída. Segundo os dados apresentados pela iniciativa, cerca de 65.735 estudantes devem ser beneficiados em todo o território roraimense.
A Escola Estadual Professora Maria das Dores Brasil, escolhida para receber a visita ministerial, é apresentada como um exemplo concreto desse processo. A unidade atende 410 estudantes, com idades entre 12 e 17 anos, do 5º ano do Ensino Fundamental ao Ensino Médio. Na prática, a conexão de alta velocidade tende a ampliar o acesso a conteúdos digitais, plataformas educacionais, pesquisas e novas metodologias de ensino, tanto para alunos quanto para professores.
Embora o discurso sobre inclusão digital esteja presente há anos nas políticas educacionais, a dificuldade de acesso à internet ainda é uma das marcas da desigualdade no ensino público brasileiro, especialmente em estados com grandes distâncias, áreas remotas e limitações de infraestrutura. Por isso, programas como o Aprender Conectado ganham peso não apenas como ação tecnológica, mas como política de redução de desigualdades.
O projeto integra a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas e tem como foco principal escolas localizadas em áreas rurais, indígenas, quilombolas, remotas e de difícil acesso. Esse recorte mostra que a proposta não é apenas ampliar o uso da internet onde ela já existe, mas alcançar regiões em que a ausência de conectividade compromete de forma mais profunda as oportunidades educacionais.
No caso de Roraima, esse aspecto é especialmente relevante. O estado reúne características geográficas e logísticas que tornam mais desafiadora a universalização de serviços de infraestrutura. Levar internet de qualidade às escolas, nesse contexto, significa ampliar o acesso ao conhecimento e reduzir parte da distância que separa estudantes da rede pública de recursos já incorporados em outros centros.
A presença do ministro em Boa Vista também tem peso político e simbólico. Ao visitar uma escola conectada e ouvir estudantes e professores, o governo federal tenta mostrar, no território, os efeitos práticos de uma política nacional. Mais do que anunciar números, a agenda busca associar a iniciativa à experiência concreta de quem vive a escola no dia a dia.
Segundo o diretor-geral do Aprender Conectado, Flávio Santos, o programa já alcançou 24 mil escolas em todo o país e pretende chegar a 40 mil. “Nossa meta é alcançar 40 mil escolas, contribuindo significativamente para a redução das desigualdades educacionais e a ampliação das oportunidades de aprendizado para milhões de estudantes em todo o território nacional”, afirmou.
A declaração reforça a ideia de escala da política pública e mostra que Roraima está inserido em um plano mais amplo de expansão da conectividade escolar. Ao mesmo tempo, revela que o desafio ainda está em curso. Se 209 escolas já foram implantadas no estado, ainda há um caminho considerável até o total previsto de 587 unidades.
A criação de um Ponto de Inclusão Digital durante a visita amplia esse alcance para além do espaço estritamente escolar. Estruturas desse tipo costumam funcionar como instrumento de acesso a serviços, conteúdos e ferramentas digitais, fortalecendo o uso social da tecnologia e ampliando oportunidades de informação e aprendizagem.
No ambiente educacional, a conectividade tende a produzir efeitos que vão além da sala de aula. Ela influencia a formação de professores, a comunicação com estudantes, o acesso a plataformas de gestão escolar e a relação da comunidade com a escola. Em muitos casos, é justamente a presença da internet que permite integrar a rotina pedagógica a recursos antes indisponíveis.
Ainda assim, especialistas costumam lembrar que conectar escolas é só parte do processo. Para que a tecnologia tenha impacto consistente no ensino, ela precisa vir acompanhada de uso pedagógico qualificado, formação de profissionais e infraestrutura capaz de sustentar o serviço de maneira contínua. Sem isso, a internet corre o risco de existir formalmente, mas com efeito limitado no cotidiano escolar.
Mesmo com esse desafio, a visita desta quarta-feira coloca em evidência uma pauta que se tornou incontornável na educação pública: o acesso digital como condição de permanência e qualidade. Em estados como Roraima, onde barreiras territoriais e desigualdades estruturais pesam fortemente, a conectividade escolar tende a ser tratada cada vez menos como inovação e cada vez mais como necessidade básica.





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