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Boa Vista,27/06/2026

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Brasil envia terceiro voo humanitário à Venezuela com medicamentos e estrutura para hospital de campanha

Nova operação parte do Galeão neste sábado com kits de calamidade e módulo complementar de atendimento; resposta brasileira ocorre após terremotos que deixaram centenas de mortos e milhares de feridos no país vizinho


Brasil envia terceiro voo humanitário à Venezuela com medicamentos e estrutura para hospital de campanha A primeira equipe do Governo do Brasil destinada a apoiar a Venezuela após os terremotos já chegou ao país em aeronave KC-390 Millennium da FAB, Foto: Divulgação/FAB

O Governo do Brasil programou para a tarde deste sábado, 27 de junho, o envio de um terceiro voo humanitário à Venezuela, desta vez com kits de medicamentos e o módulo complementar destinado à instalação de um hospital de campanha. A operação sairá da Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro, e foi autorizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como parte do esforço internacional de socorro às vítimas dos terremotos que atingiram o país vizinho na última quarta-feira, 24.

A nova remessa inclui medicamentos e insumos voltados ao atendimento de emergência. Entre os itens embarcados estão antibióticos, analgésicos, anti-inflamatórios, soluções injetáveis, ataduras, gazes, dispositivos para infusão, seringas, luvas, esparadrapos e máscaras, materiais considerados essenciais em cenários de desastre e atendimento de urgência.

Segundo o governo federal, o Brasil enviará ao todo cinco kits de calamidade à Venezuela, reunindo 111,8 mil medicamentos e insumos. A estimativa oficial é de que esse volume seja suficiente para atender cerca de 1.500 pessoas durante um mês. O Planalto também informou que as doações não comprometem o estoque do Sistema Único de Saúde.

A assistência brasileira está sendo coordenada pela Agência Brasileira de Cooperação, vinculada ao Ministério das Relações Exteriores. De acordo com o governo, o país permanece à disposição das autoridades venezuelanas e de organismos internacionais para ampliar o apoio humanitário de acordo com as necessidades identificadas no terreno.

A mobilização começou ainda na sexta-feira, 26, quando a primeira equipe brasileira de apoio à resposta aos terremotos decolou da Base Aérea de Guarulhos, em São Paulo, em uma aeronave KC-390 Millennium da Força Aérea Brasileira. O avião pousou às 23h40, no horário de Brasília, na Base Militar da Força Aérea Venezuelana El Libertador, em Maracay. Um segundo voo também foi programado para este sábado, levando hospital de campanha e purificadores de água.

O envio sequencial de aeronaves mostra que a resposta brasileira foi estruturada em etapas, combinando equipes, insumos médicos e suporte de infraestrutura para ampliar a capacidade de atendimento em solo venezuelano. A estratégia busca dar escala à ajuda humanitária em um momento em que a demanda por socorro ainda cresce com o avanço das buscas e do atendimento aos feridos. Essa leitura é uma inferência a partir da composição das cargas anunciadas pelo governo.

Os terremotos que atingiram a Venezuela tiveram magnitudes de 7,2 e 7,5 na escala Richter, seguidos por cerca de 20 réplicas. Conforme informações divulgadas pelas autoridades venezuelanas na sexta-feira, 26, o desastre provocou destruição extensa, com desabamentos de edifícios em Caracas e outras cidades.

O balanço oficial apontava ao menos 920 mortos e aproximadamente 2,9 mil feridos, com possibilidade de aumento no número de vítimas à medida que as operações de busca e salvamento avançassem.

Diante da gravidade da situação, a presidenta encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, decretou estado de emergência nacional e fez um apelo à comunidade internacional por assistência humanitária. É nesse contexto que o governo brasileiro passou a integrar a rede de apoio externo organizada para reforçar o atendimento às vítimas e ampliar a resposta logística à crise.

A operação também tem peso político e regional. Ao acionar estrutura militar, estoque de calamidade e coordenação diplomática para atender a Venezuela, o Brasil sinaliza disposição de atuar como agente de resposta rápida em crises humanitárias na América do Sul.

Embora o foco imediato esteja no socorro às vítimas, a iniciativa também reforça o papel do país em ações de cooperação regional em situações de desastre. Essa conclusão decorre do tipo de operação mobilizada pelo governo.




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