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Boa Vista,22/05/2026

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MPRR cobra cumprimento de sentença e pressiona por concurso público na Rádio Roraima

Ministério Público aponta descumprimento de decisão judicial, novas contratações temporárias e ausência de cronograma concreto para regularização do quadro funcional


MPRR cobra cumprimento de sentença e pressiona por concurso público na Rádio Roraima Fachada da Rádio Roraima, empresa pública que é alvo de cobrança judicial do Ministério Público para realização de concurso público. Foto: Divulgação MPRR

O Ministério Público do Estado de Roraima (MPRR) voltou a cobrar na Justiça o cumprimento da sentença que determina à Rádio Roraima a realização de concurso público e o desligamento de funcionários contratados temporariamente para o exercício de funções permanentes. Em nova manifestação no processo, o órgão pediu o prosseguimento da execução da decisão judicial, sustentando que a obrigação principal ainda não foi cumprida, mesmo após anos de tramitação e sucessivas cobranças.

A controvérsia teve início em 2012, quando o Ministério Público ajuizou ação civil pública após identificar que a empresa pública mantinha grande parte de seu quadro funcional composta por trabalhadores temporários, sem aprovação prévia em concurso público. Cinco anos depois, em 2017, a Justiça julgou procedente o pedido do MPRR e determinou que a Rádio Roraima promovesse o desligamento desses contratos no prazo de 12 meses após o trânsito em julgado da sentença, além de se abster de realizar novas admissões sem concurso.

Apesar da decisão favorável ao Ministério Público, o caso não se encerrou. Desde então, o processo permanece na fase de cumprimento de sentença, justamente porque, segundo o MPRR, a empresa pública ainda não adotou as medidas necessárias para regularizar seu quadro funcional. A avaliação do órgão é de que houve descumprimento continuado da ordem judicial, situação que mantém aberta a disputa em torno da efetivação da decisão.

Na manifestação mais recente, apresentada em março deste ano, a Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público afirmou que a Rádio Roraima continua justificando a demora com a necessidade de aprovação de um Plano de Cargos e Salários, sem, no entanto, apresentar um cronograma objetivo para a realização do concurso público. Para o Ministério Público, a explicação não basta diante do tempo já decorrido desde a sentença e da falta de medidas concretas para resolver a situação.

O ponto central do processo é a exigência constitucional de ingresso no serviço público por meio de concurso, especialmente quando se trata de funções permanentes. Na avaliação do MPRR, a manutenção prolongada de contratos temporários para esse tipo de atividade desrespeita o modelo legal de contratação e compromete a regularidade administrativa da empresa pública.

Além da ausência de concurso, o Ministério Público sustenta que houve novas admissões temporárias mesmo depois do trânsito em julgado da sentença, o que, segundo o órgão, contraria diretamente a decisão judicial. Essa informação é tratada como um agravante dentro do processo, porque indicaria não apenas demora no cumprimento da ordem, mas também a continuidade de uma prática que já havia sido expressamente vedada pela Justiça.

A situação levou a uma nova resposta do Judiciário. Em decisão recente, a Justiça reconheceu que a Rádio Roraima vem adotando postura “reativa” diante das determinações judiciais e aplicou multa de R$ 300 mil pelo descumprimento da sentença. A avaliação expressa na decisão sugere que a empresa não tem atuado de forma suficiente para resolver o problema, respondendo apenas quando provocada judicialmente, sem apresentar avanço concreto na obrigação principal.

Embora tenha endurecido o tom ao aplicar a nova multa, a Justiça negou, por ora, o pedido de nomeação de interventor judicial. Ainda assim, deixou claro que a medida poderá ser reavaliada caso o descumprimento persista. Na prática, isso significa que o processo segue sob pressão e que o Judiciário não descarta adotar providências mais severas se a empresa continuar sem atender o que foi determinado.

O caso expõe um problema recorrente na administração pública brasileira: a permanência de contratações temporárias em funções que deveriam ser ocupadas por servidores aprovados em concurso. Em tese, o vínculo temporário deve atender situações excepcionais e transitórias. Quando passa a ser utilizado para preencher atividades permanentes da estrutura pública, abre-se espaço para questionamentos jurídicos, intervenções de órgãos de controle e ações judiciais como a que tramita em Roraima.

No caso da Rádio Roraima, o processo ganhou longevidade justamente porque a sentença favorável ao Ministério Público não se traduziu, até o momento, em regularização efetiva. A fase de execução, que deveria assegurar o cumprimento do que foi decidido, acabou se tornando um novo foco de disputa judicial, com cobranças reiteradas, justificativas da empresa e aplicação de sanções.

A insistência do Ministério Público em pedir o prosseguimento da execução demonstra que o órgão pretende manter a pressão institucional até que a sentença seja efetivamente cumprida. O objetivo declarado é assegurar a realização do concurso público e a adequação do quadro funcional da empresa às exigências legais e constitucionais.

Mais do que uma discussão administrativa, o processo toca em princípios centrais da gestão pública, como legalidade, impessoalidade e acesso isonômico aos cargos públicos. Ao cobrar concurso e questionar admissões sem seleção pública, o MPRR reforça a defesa de um modelo em que o ingresso em funções permanentes ocorra por meio de regras transparentes e abertas à concorrência pública.

A referência constante da Rádio Roraima ao Plano de Cargos e Salários, segundo a manifestação do Ministério Público, não foi suficiente para convencer o órgão nem para encerrar o impasse judicial. Isso porque, na visão da Promotoria, a ausência de prazo, de cronograma e de providências objetivas prolonga um cenário que já deveria ter sido resolvido. Sem indicação clara de quando o concurso será realizado, a justificativa passa a ser vista como insuficiente diante da obrigação judicial em vigor.

A multa de R$ 300 mil imposta recentemente pela Justiça também sinaliza um aumento no grau de cobrança sobre a empresa pública. Sanções financeiras desse tipo costumam funcionar como instrumento de pressão para forçar o cumprimento de decisões judiciais, especialmente quando o Judiciário entende que há resistência ou inércia prolongada por parte do destinatário da ordem.

Ao mesmo tempo, a negativa momentânea de intervenção judicial mostra que a Justiça ainda aposta na possibilidade de cumprimento sem adoção de medida mais drástica. A advertência, contudo, deixa a porta aberta para novo endurecimento caso não haja mudança de postura. Isso coloca a Rádio Roraima em uma situação delicada: além de continuar obrigada a cumprir a sentença, a empresa agora lida com o risco de agravamento das medidas judiciais.

O processo segue em fase de execução judicial, e o desfecho dependerá dos próximos movimentos da empresa e da resposta às cobranças do Ministério Público. Até aqui, o que está posto é que a sentença continua sem cumprimento integral, o concurso público ainda não foi realizado e a regularização do quadro funcional permanece pendente.

Para o MPRR, a questão vai além do caso concreto da Rádio Roraima. A cobrança também reafirma o papel do Ministério Público na fiscalização da administração pública e na defesa do cumprimento das normas que regem o ingresso no serviço estatal. Ao insistir na execução da sentença, o órgão tenta transformar uma decisão judicial antiga em resultado efetivo, com reflexos diretos na estrutura da empresa pública.

Enquanto isso, a disputa continua no Judiciário. O caso permanece aberto, sob acompanhamento da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, e deve seguir produzindo desdobramentos até que haja uma definição concreta sobre o concurso e sobre a substituição dos contratos temporários considerados irregulares.




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