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Boa Vista,29/04/2026

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Operação na Terra Yanomami supera 10 mil ações e impõe prejuízo de R$ 683 milhões ao garimpo ilegal

Atuação federal intensifica cerco logístico, amplia apreensões e avança sobre áreas remotas usadas por invasores em Roraima


Operação na Terra Yanomami supera 10 mil ações e impõe prejuízo de R$ 683 milhões ao garimpo ilegal Agente da Funai acompanha a destruição de estrutura usada no garimpo ilegal durante operação na Terra Yanomami. Foto: Bruno Mancinelle/Casa de Governo

A operação de desintrusão na Terra Indígena Yanomami ultrapassou, em abril de 2026, a marca de 10 mil ações de combate ao garimpo ilegal e à rede que sustenta a atividade criminosa dentro e no entorno do território indígena. Segundo dados divulgados pelo Governo Federal, a ofensiva coordenada pela Casa de Governo desde março de 2024 alcançou 10.052 ações até o dia 23 de abril, reunindo repressão direta em áreas de garimpo, monitoramento, fiscalização de rotas de abastecimento e bloqueio de corredores logísticos usados por invasores.

O balanço aponta ainda prejuízo estimado em R$ 683 milhões ao garimpo ilegal, resultado da destruição de equipamentos, da interrupção de cadeias de abastecimento e da perda de insumos utilizados na atividade criminosa.

A nova marca expõe a dimensão de uma das maiores ações já executadas pelo Governo do Brasil na Amazônia. Em pouco mais de dois anos, a operação passou a atuar não apenas nos pontos de exploração mineral ilegal dentro da Terra Yanomami, mas também no entorno da área, atingindo bases de apoio, pistas clandestinas, embarcações, combustíveis e estruturas que garantiam a permanência de garimpeiros na floresta. A estratégia, segundo o governo, tem como foco inviabilizar a reocupação de áreas e impedir novas tentativas de reorganização da atividade ilegal.

Os números acumulados ajudam a dimensionar o alcance da ofensiva. Ao longo do período, foram inutilizados 2.155 motores, 558 geradores, 504 esteiras separadoras de minério, 845 acampamentos, 290 embarcações e 51 aeronaves. Também foram destruídos 250 mil litros de óleo diesel, 194 toneladas de cassiterita, 195 antenas de internet, 29 quadriciclos e 80 pistas de pouso clandestinas. As forças federais apreenderam ainda 154 armas, 3.484 munições e realizaram 363 detenções ou prisões.

Além das ações diretas contra estruturas ilegais, a operação incluiu 1.816 fiscalizações de aeronaves, 582 fiscalizações em pistas de pouso, 218 fiscalizações em postos de abastecimento, 44.462 veículos fiscalizados e mais de 51 mil abordagens em rotas consideradas estratégicas para a logística do garimpo. O conjunto dessas medidas evidencia que o enfrentamento ao problema passou a atingir não apenas os pontos de extração mineral, mas toda a cadeia que permite o transporte de pessoas, combustível, equipamentos e insumos para dentro da floresta.

Pressão avança sobre áreas mais remotas

As ações mais recentes mostram que o cerco vem se deslocando para áreas cada vez mais isoladas do território yanomami. Entre os dias 4 e 12 de abril, a quarta fase da Operação Maamaxi Xawara avançou sobre regiões de pressão garimpeira no Rangel e no Baixo Catrimani, com foco na localização e inutilização de estruturas usadas por invasores. Segundo o balanço divulgado, o trabalho teve como objetivo reprimir pontos de apoio e impedir a permanência de grupos que têm migrado para regiões mais remotas diante da pressão contínua das forças de segurança.

No Baixo Catrimani, a ofensiva resultou na destruição de acampamentos, dragas e estruturas fluviais utilizadas como suporte para o garimpo ilegal. A ação reuniu a atuação integrada de órgãos como a Fundação Nacional dos Povos Indígenas e a Força Nacional, reforçando uma estratégia que combina presença em campo com ações paralelas de sufocamento logístico fora da terra indígena.

Esse deslocamento do garimpo para áreas mais profundas da floresta mostra que, embora a pressão tenha reduzido a presença de invasores em diversas regiões, a atividade criminosa ainda tenta se adaptar para manter pontos residuais de exploração. O esforço das autoridades, nesse cenário, passou a depender cada vez mais de inteligência, vigilância permanente e atuação articulada entre diferentes órgãos federais.

Operações dentro e fora da Terra Yanomami

Dentro da Terra Indígena Yanomami, as ações continuam concentradas na destruição de estruturas e na retirada de invasores. Entre 1º e 15 de abril, a Operação Xapiri, conduzida pelo Comando Conjunto Catrimani II, inutilizou cinco pistas clandestinas nas regiões de Xiriana, Noronha, Capixaba, Quincas e Hélio. No mesmo período, foram apreendidos 1.570 litros de combustível, destruídos 19 acampamentos e presos cinco garimpeiros. As ações também atingiram bases clandestinas, motores, embarcações, caixas separadoras, suprimentos e antenas de internet usadas pelos invasores.

No entorno da TIY, o foco está na quebra da logística que alimenta o garimpo. Em localidades como Campos Novos e Samaúma, operações realizadas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres e pela Força Nacional ampliaram fiscalizações em vicinais, veículos e pontos de abastecimento. Essas ações resultaram na apreensão de aproximadamente 3,3 mil litros de combustíveis, entre gasolina, diesel, querosene e combustível de aviação, além de 21 carotes vazios e várias peças de aeronaves. O objetivo, segundo o governo, é atingir estruturas usadas para o apoio e abastecimento da atividade ilegal.

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade também mantém operações em unidades de conservação federais, para impedir que invasores montem novas bases ou reconstruam estruturas fora da Terra Indígena Yanomami. Fiscalizações em áreas como a Estação Ecológica de Maracá e as Florestas Nacionais de Roraima e Parima ampliam a pressão sobre regiões usadas como rota alternativa ou refúgio por garimpeiros.

Mercúrio, combustível e rotas sob vigilância

Um dos pontos de maior impacto na ofensiva recente foi a apreensão de mercúrio em Boa Vista. Segundo o balanço oficial, ações da Polícia Rodoviária Federal nas rodovias, articuladas com informações de inteligência, contribuíram para a maior apreensão de mercúrio da história da instituição, também apontada como a maior já registrada no país. Em menos de 15 dias, cerca de 835 quilos do material foram interceptados. Desde o início da operação, o volume total apreendido chega a aproximadamente uma tonelada, impedindo o uso do produto na contaminação de rios e nos danos ambientais associados ao garimpo ilegal.

Em Caracaraí, o monitoramento do fluxo fluvial reforçou o controle sobre embarcações carregadas com combustível e insumos destinados ao garimpo, ampliando a vigilância sobre rotas de abastecimento a partir dos portos do Rio Branco. A medida mira justamente um dos pontos mais sensíveis da atividade ilegal: a necessidade constante de transporte de combustível, peças e alimentos para manter acampamentos e maquinário em funcionamento em áreas de difícil acesso.

O combate a essa logística é considerado essencial porque o garimpo em áreas remotas depende de uma cadeia permanente de apoio externo. Sem abastecimento regular, transporte e comunicação, a atividade perde capacidade operacional e se torna mais vulnerável à ação do Estado.

Redução de novos garimpos e estratégia contínua

Segundo o governo, o volume de ações já executadas contribuiu para a redução de 98% das áreas de novos garimpos na Terra Indígena Yanomami. O dado é apresentado como resultado de um modelo de atuação continuada, baseado não apenas em operações pontuais, mas em sufocamento logístico e fiscalização sucessiva. A ideia é impedir a reocupação de áreas já desmobilizadas e reduzir a capacidade de reorganização dos invasores.

Essa estratégia é um dos principais diferenciais da atual fase da operação. Em vez de ações esporádicas, a proposta é manter pressão constante sobre os pontos ativos e residuais de garimpo, monitorando rotas, destruindo estruturas e agindo rapidamente diante de novas tentativas de abastecimento ou retomada da atividade.

Na prática, isso significa que a operação deixou de se limitar à retirada de garimpeiros de determinadas áreas e passou a se estruturar como uma política contínua de controle territorial. Em uma região marcada por vastidão geográfica, logística complexa e dificuldades históricas de fiscalização, manter essa presença de forma prolongada é um dos maiores desafios do poder público.

Terra Yanomami segue no centro do debate ambiental e humanitário

A ofensiva contra o garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami ocorre em um contexto de forte atenção nacional e internacional sobre a proteção do território indígena. Nos últimos anos, a presença de invasores foi associada ao avanço do desmatamento, à contaminação de rios por mercúrio, à destruição de áreas de floresta e ao agravamento da crise humanitária vivida por comunidades yanomami.

Por isso, o balanço das operações vai além da contagem de equipamentos destruídos ou pessoas presas. Ele reflete uma tentativa de retomar o controle de um território profundamente afetado pela exploração ilegal e de impedir que a atividade continue colocando em risco a vida das comunidades indígenas e o equilíbrio ambiental da região.

Ao ultrapassar a marca de 10 mil ações, a operação federal reforça a mensagem de continuidade no enfrentamento ao garimpo ilegal em Roraima. O desafio, daqui para frente, será manter a pressão sobre áreas remotas, impedir o reabastecimento de grupos ainda ativos e consolidar um cenário em que a retirada de invasores seja duradoura.

Em uma das áreas mais sensíveis da Amazônia brasileira, a disputa deixou de ser apenas por território. Ela passou a envolver proteção ambiental, soberania estatal e defesa dos povos indígenas diante de uma atividade que, por anos, avançou com alto poder de destruição.




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