UFRR integra seleção de R$ 148,8 milhões da Finep para ampliar pesquisa na Amazônia Legal
Universidade Federal de Roraima terá projeto voltado às energias renováveis entre as 17 iniciativas selecionadas para fortalecer a infraestrutura científica da região
Usina fotovoltaica da Universidade Federal de Roraima, no Campus Paricarana, em Boa Vista; instituição foi contemplada pela Finep com projeto voltado à consolidação de pesquisas em energias renováveis. Foto: Divulgação/UFRR A Universidade Federal de Roraima (UFRR) está entre as instituições contempladas na chamada Pró-Amazônia 2025, da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), que destinará R$ 148,8 milhões para fortalecer a infraestrutura de pesquisa científica e tecnológica na Amazônia Legal. A seleção final reúne 17 projetos distribuídos por sete estados e inclui, em Roraima, uma iniciativa voltada à consolidação das pesquisas em energias renováveis.
Os recursos são não reembolsáveis e têm origem no Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). Isso significa que os valores serão aplicados diretamente na estruturação dos projetos selecionados, sem necessidade de devolução pelas instituições contempladas, desde que sejam cumpridas as regras estabelecidas no financiamento.
Para Roraima, a inclusão da UFRR representa a possibilidade de ampliar a capacidade de pesquisa em uma área estratégica para o estado. A localização próxima à Linha do Equador, a elevada incidência solar e os desafios relacionados ao abastecimento energético tornam as fontes renováveis um campo de interesse científico, econômico e ambiental.
A proposta selecionada pretende consolidar a pesquisa em energias renováveis dentro da Universidade Federal de Roraima. A Finep, entretanto, não detalhou no material divulgado o valor individual destinado ao projeto da UFRR.
A chamada foi criada justamente para reduzir diferenças históricas na infraestrutura científica entre a Amazônia Legal e outras regiões brasileiras, ampliando laboratórios, equipamentos, redes de pesquisa e condições para permanência de pesquisadores.
Roraima entre sete estados contemplados
As instituições executoras selecionadas estão distribuídas por Pará, Amazonas, Mato Grosso, Maranhão, Roraima, Amapá e Tocantins.
O Pará concentra o maior número de propostas contempladas, com cinco projetos dentro do limite de recursos disponível. Amazonas e Mato Grosso aparecem na sequência, com três instituições cada. Maranhão, Roraima, Amapá e Tocantins tiveram uma instituição contemplada em cada estado.
Entre as entidades que fazem parte da seleção estão, além da UFRR, a Universidade Federal do Pará, a Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará, a Embrapa, o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e a Fundação Oswaldo Cruz, por meio do Instituto Leônidas e Maria Deane, no Amazonas.
As iniciativas contemplam diferentes áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento sustentável da Amazônia, como biotecnologia, biodiversidade, agricultura sustentável, agroecologia, energias renováveis, recursos hídricos, saúde pública, desenvolvimento urbano, inteligência artificial, tecnologia da informação e conectividade.
Essa variedade mostra que a chamada não está concentrada apenas na pesquisa ambiental tradicional. A proposta é criar infraestrutura capaz de atender novas demandas científicas e tecnológicas em áreas diretamente ligadas ao desenvolvimento econômico e à qualidade de vida da população amazônica.
Energias renováveis ganham espaço em Roraima
A presença de um projeto da UFRR voltado especificamente às energias renováveis chama atenção pelas características do próprio estado.
Roraima passou décadas operando de maneira isolada do Sistema Interligado Nacional e ainda enfrenta desafios relacionados à segurança energética. Ao mesmo tempo, o estado possui potencial para ampliar estudos e aplicações envolvendo energia solar e outras fontes renováveis.
O fortalecimento da pesquisa universitária pode contribuir para desenvolver tecnologias adaptadas à realidade amazônica, formar profissionais especializados e criar soluções que possam ser aplicadas tanto nas áreas urbanas quanto em comunidades rurais, indígenas e regiões de difícil acesso.
A infraestrutura científica também pode ampliar a participação de estudantes de graduação e pós-graduação em projetos de pesquisa, contribuindo para a formação de mão de obra especializada no próprio estado.
Outro impacto possível está na criação de parcerias entre universidade, empresas, governo e instituições de pesquisa. Projetos ligados às energias renováveis podem gerar conhecimentos aplicáveis à produção de energia, armazenamento, eficiência energética e redução de impactos ambientais.
Disputa teve 148 propostas
A procura pelos recursos da Pró-Amazônia foi significativamente superior ao orçamento disponível.
A Finep recebeu 148 propostas, que juntas solicitaram aproximadamente R$ 1,19 bilhão. Após a etapa inicial de habilitação, 136 projetos atenderam às exigências do edital e seguiram para avaliação, representando uma demanda de aproximadamente R$ 1,09 bilhão.
O resultado preliminar havia recomendado 16 projetos, com recursos que somavam R$ 140,1 milhões.
Na etapa de recursos, 56 propostas apresentaram pedidos de revisão. O Comitê Recursal deferiu total ou parcialmente 20 solicitações e, ao final do processo, um projeto adicional passou a integrar a lista.
Com isso, a seleção definitiva chegou a 17 iniciativas, totalizando exatamente R$ 148.779.471,82.
Os números revelam uma demanda científica muito maior do que a capacidade financeira prevista para esta edição. O valor solicitado inicialmente foi quase oito vezes superior ao montante efetivamente aprovado.
Isso também evidencia a necessidade de investimentos contínuos para modernizar laboratórios e estruturas científicas existentes na região amazônica.
Projetos poderão funcionar em rede
Uma das características da chamada Pró-Amazônia 2025 foi a possibilidade de formação de redes entre instituições.
Cada entidade executora pôde se associar a até duas instituições coexecutoras. Apenas uma delas poderia estar localizada fora da Amazônia Legal.
Esse modelo foi adotado para incentivar a cooperação científica e permitir que pesquisadores e laboratórios de diferentes estados trabalhem em conjunto.
Além dos estados amazônicos diretamente contemplados, instituições do Piauí, Paraná e São Paulo aparecem como coexecutoras de projetos selecionados.
Apesar dessa participação externa, o edital estabeleceu limites para garantir que a maior parte dos recursos permanecesse efetivamente na Amazônia Legal. As instituições coexecutoras localizadas fora da região ficaram com apenas 0,082% do total financiado pela Finep.
Cada proposta pôde solicitar valores entre R$ 1 milhão e R$ 10 milhões, incluindo recursos destinados a bolsas de estudo.
A inclusão de bolsas é considerada estratégica porque pode ajudar na permanência de estudantes e pesquisadores na região, além de contribuir para formação de novos grupos científicos.
Biodiversidade e tecnologia entre os projetos
No Pará, um dos estados com maior quantidade de propostas selecionadas, os projetos incluem infraestrutura voltada à biotecnologia e à valorização da biodiversidade amazônica.
A Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará foi contemplada com uma plataforma multiusuária avançada para estudos nessa área.
Já a Universidade Federal do Pará, em parceria com o Museu Paraense Emílio Goeldi, participa de iniciativa envolvendo genômica, biomoléculas e ciência de dados aplicadas à preservação da biodiversidade.
A Embrapa participa de projeto relacionado ao uso de tecnologias digitais no manejo integrado de açaí e abelhas sociais na Amazônia Oriental.
No Amazonas, o Instituto Mamirauá está entre os selecionados com a proposta de implantação de um laboratório integrado de pesquisa em Saúde Única.
A Fiocruz Amazônia também participa de iniciativa voltada ao desenvolvimento de ensaios para vigilância imunológica de doenças emergentes na região.
Outros projetos trabalham com a microbiota amazônica como fonte potencial para soluções biotecnológicas.
Investimento busca ampliar capacidade científica
A chamada Pró-Amazônia procura fortalecer uma estrutura que vai além da execução imediata dos 17 projetos.
Laboratórios, equipamentos e redes criados com os investimentos podem permanecer disponíveis para novas pesquisas após a conclusão dos projetos financiados, aumentando a capacidade científica das instituições beneficiadas.
Em estados como Roraima, onde o número de instituições de pesquisa é menor quando comparado aos grandes centros brasileiros, investimentos em infraestrutura podem ter impacto significativo na produção científica regional.
A presença da UFRR na seleção também amplia a possibilidade de desenvolver conhecimento a partir dos próprios desafios enfrentados pelo estado.
No caso das energias renováveis, pesquisas realizadas localmente podem considerar fatores como clima, distância entre comunidades, características da rede elétrica, condições ambientais e necessidades específicas da população.
Ao mesmo tempo, o financiamento pode fortalecer a integração de Roraima com universidades e centros científicos de outros estados da Amazônia.
A expectativa é que a execução dos projetos contribua não apenas para gerar estudos acadêmicos, mas para criar soluções tecnológicas e formar pesquisadores capazes de atuar em áreas estratégicas da região.





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