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Boa Vista,27/07/2026

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Amazônia Vox amplia presença de vozes locais na cobertura da região

Em entrevista ao Biodiversa Podcast, Daniel Nardin explicou como a COP27 e um documentário da Netflix ajudaram a consolidar a criação da plataforma


Amazônia Vox amplia presença de vozes locais na cobertura da região Daniel Nardin conversa com Nélia Ruffeil e Poliana Bentes sobre o Amazônia Vox durante o Biodiversa Podcast.

Criado para ampliar a presença de jornalistas, pesquisadores e lideranças locais na cobertura da Amazônia, o Amazônia Vox foi tema do episódio 6 da segunda temporada do Biodiversa Podcast. Durante a conversa com as apresentadoras Nélia Ruffeil e Poliana Bentes, o jornalista Daniel Nardin contou como nasceu a plataforma e defendeu que a região seja narrada por quem vive e produz conhecimento no território.

O Amazônia Vox funciona como uma ponte entre fontes amazônidas e veículos de comunicação nacionais e internacionais. A proposta é facilitar o acesso da imprensa a profissionais, especialistas e representantes de comunidades que conhecem de perto as diferentes realidades da região.

Segundo Nardin, a plataforma resulta de sua trajetória em redações, na gestão pública e no setor corporativo. A ideia também ganhou força diante da crescente atenção internacional sobre a Amazônia, especialmente com as discussões sobre mudanças climáticas e a realização da COP30 em Belém.

“O Amazônia Vox é o projeto de uma vida. Ele não foi pensado apenas para a COP, embora o evento tenha impulsionado o tema. Ele surge da percepção de que precisamos substituir a palavra competição por colaboração no jornalismo e valorizar quem vive e produz conhecimento no território”, afirmou Daniel.

A iniciativa busca enfrentar um problema recorrente na cobertura jornalística: a pouca participação de fontes locais em reportagens, debates e eventos sobre a própria Amazônia. Apesar da existência de universidades, centros de pesquisa, comunicadores, organizações sociais e lideranças comunitárias na região, muitas discussões ainda são conduzidas principalmente por pessoas de fora do território.

Para Daniel, incluir essas vozes não significa excluir pesquisadores ou profissionais de outras regiões, mas tornar a cobertura mais equilibrada, diversa e conectada à realidade amazônica.

Ideia ganhou força durante a COP27

A decisão de estruturar a plataforma amadureceu durante a COP27, realizada no Egito em 2022. Ao acompanhar a conferência climática, Nardin percebeu a baixa presença de profissionais do Norte do Brasil em painéis e grupos de trabalho relacionados ao futuro da Amazônia.

A ausência chamou atenção porque o bioma ocupava posição central nas discussões, enquanto pessoas que viviam e trabalhavam na região apareciam com pouca frequência nos principais espaços de fala.

A partir dessa experiência, o jornalista passou a pensar em uma ferramenta capaz de aproximar fontes locais da imprensa. O objetivo era tornar mais fácil a identificação de pesquisadores, comunicadores e lideranças com conhecimento sobre temas ambientais, sociais, econômicos e culturais.

A percepção foi reforçada depois que Daniel assistiu ao documentário da Netflix “Explorando o desconhecido: A pirâmide perdida”. A produção acompanha arqueólogos egípcios que defendem que a história do Egito seja contada pelos próprios egípcios.

A mensagem levou o jornalista a formular uma pergunta que se tornou central para o Amazônia Vox: por que a Amazônia ainda é narrada tantas vezes por quem está de fora?

A plataforma nasceu como uma resposta prática a essa questão. Além de ampliar a visibilidade de fontes amazônidas, o projeto pretende contribuir para a construção de reportagens mais contextualizadas e menos dependentes de visões simplificadas sobre a região.

Jornalismo de soluções

Outro eixo do Amazônia Vox é o Jornalismo de Soluções, metodologia voltada à investigação de iniciativas que apresentam respostas concretas para problemas sociais e ambientais.

A proposta não substitui a cobertura de crimes ambientais, desmatamento, queimadas ou violações de direitos. Para Daniel, o jornalismo de denúncia continua sendo indispensável. O projeto busca, no entanto, mostrar também experiências desenvolvidas por comunidades, pesquisadores, organizações e empreendedores da própria região.

“Quando você só mostra a Amazônia a partir do desmatamento e das queimadas, passa a ideia implícita de que quem está aqui não sabe cuidar da floresta. Queremos dar visibilidade às iniciativas que já dão respostas a esses desafios, explicando como elas funcionam para que possam ser replicadas e apoiadas”, explicou.

Ao adotar essa abordagem, a plataforma pretende ampliar o olhar sobre a Amazônia. Além dos problemas, a cobertura pode mostrar projetos de conservação, bioeconomia, educação, tecnologia, saúde e geração de renda desenvolvidos no território.

O Jornalismo de Soluções também exige análise crítica. As iniciativas devem ser avaliadas a partir de resultados, limitações e possibilidades de aplicação, evitando conteúdos meramente promocionais.

Para o Amazônia Vox, dar espaço a essas experiências ajuda a reconhecer os moradores da região como produtores de conhecimento e protagonistas na construção de respostas para os desafios locais.

A plataforma também aposta na colaboração entre jornalistas e organizações. Daniel avalia que a criação de redes pode ampliar o alcance do trabalho de comunicadores amazônidas e facilitar o acesso da imprensa a fontes qualificadas.

A realização da COP30 aumentou a atenção sobre Belém e a Amazônia, mas o jornalista defende que o interesse pela região não se limite aos grandes eventos internacionais. A proposta do Amazônia Vox é manter uma estrutura permanente de conexão e valorização de vozes locais.

Durante o Biodiversa Podcast, Daniel destacou ainda que a Amazônia não pode ser tratada como uma realidade homogênea. A região reúne diferentes contextos urbanos, rurais, indígenas, ribeirinhos e periféricos, além de características específicas em cada estado e município.

Por isso, ampliar a diversidade das fontes também melhora a qualidade das reportagens. Pessoas que vivem no território podem oferecer informações, experiências e perspectivas que dificilmente aparecem em análises feitas à distância.

O episódio reúne reflexões sobre representatividade, colaboração, comunicação e mudanças climáticas. A entrevista também mostra como experiências profissionais e referências aparentemente distantes, como um documentário sobre arqueologia no Egito, ajudaram a construir uma iniciativa voltada à transformação da narrativa sobre a Amazônia.

O episódio 6 da segunda temporada do Biodiversa Podcast está disponível nas principais plataformas de streaming e no YouTube.




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