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Boa Vista,03/03/2026

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Brasileira vence concurso internacional de biologia quântica

Brasileira de 20 anos ganha prêmio internacional de biologia quântica ao vencer concurso do FQxI e receber US$ 3 mil por ensaio sobre física quântica aplicada à vida

agenciabrasil.ebc.com.br
Brasileira vence concurso internacional de biologia quântica Gabriela Frajtag, 20 anos, recebe menção honrosa em concurso internacional de biologia quântica promovido pelo FQxI e conquista prêmio de US$ 3 mil com ensaio sobre ciência quântica. Foto: Arquivo Pessoal

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A estudante carioca Gabriela Frajtag, de 20 anos, conquistou reconhecimento internacional ao receber menção honrosa em um dos mais relevantes concursos voltados à biologia quântica. A premiação foi promovida pelo Foundational Questions Institute (FQxI), em parceria com o Paradox Science Institute e com apoio da instituição filantrópica brasileira Idor Ciência Pioneira. Ao todo, a competição distribuiu US$ 53 mil, cerca de R$ 300 mil, entre os melhores ensaios. Gabriela recebeu US$ 3 mil ao responder à questão central do concurso: “A vida é quântica?”.


O interesse pela ciência acompanha Gabriela desde a infância. Ainda na escola, ela participava de olimpíadas científicas que extrapolavam o conteúdo regular. Competiu em áreas como matemática, astronomia, linguística, neurociência e biologia. “Eu sempre busquei desafios além da sala de aula”, contou.


Essa inclinação multidisciplinar a levou à Ilum Escola de Ciência, em Campinas (SP), instituição ligada ao Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (Cnpem). No mesmo campus funciona o Sirius, considerado um dos aceleradores de elétrons mais avançados do mundo.


Segundo Gabriela, a proposta interdisciplinar da Ilum foi decisiva em sua formação. Ela pôde estudar simultaneamente biologia, física, matemática e ciência de dados. “Estar dentro do Cnpem ampliou minha visão científica”, afirmou.


Em agosto do ano passado, um novo capítulo começou. Gabriela participou da primeira edição da Escola de Biologia Quântica, realizada em Paraty (RJ). O evento foi organizado pelo Idor Ciência Pioneira e integrou as comemorações do Ano Internacional da Ciência e Tecnologia Quânticas, instituído pela UNESCO.


Durante uma semana, cerca de 40 estudantes e pesquisadores discutiram avanços de um campo que estuda processos biológicos sob a ótica da física quântica. “Foi quando mergulhei profundamente na área”, disse.


A chance de disputar o prêmio surgiu após esse encontro. Em um grupo criado pelos participantes do curso, circulou o edital do concurso organizado pelo FQxI e pelo Paradox Science Institute.


Sem desenvolver pesquisa específica na área, Gabriela decidiu elaborar um ensaio histórico. O texto analisa como a biologia quântica se consolidou ao longo do tempo. Leitora assídua de obras sobre história da ciência e biografias de cientistas, ela optou por uma abordagem panorâmica. “Quis entender como as descobertas foram acontecendo”, explicou.


Em 2025, Gabriela concluiu a graduação, formando-se em primeiro lugar na turma. Pouco depois, recebeu a notícia da menção honrosa internacional. “Não esperava ganhar. Foi uma surpresa enorme”, afirmou.


A entrega da premiação ocorrerá virtualmente, com divulgação nas redes da organização e depósito do valor em dinheiro. A jovem também concedeu entrevista em inglês para publicação nos canais oficiais do prêmio. “Foi uma experiência marcante”, disse.


A biologia quântica, tema central do ensaio, investiga de que forma fenômenos da mecânica quântica como interações eletrônicas e energéticas em escala microscópica podem influenciar processos biológicos. Entre os exemplos estudados estão a fotossíntese e a navegação de determinadas espécies animais.


Embora ainda não atue diretamente nesse campo, Gabriela sempre demonstrou interesse por conectar áreas distintas do conhecimento. “Gosto de estudar ciência e também de contar como ela evolui”, afirmou.


Um dos casos mais conhecidos envolve a orientação de aves migratórias. A hipótese mais difundida sugere que uma proteína chamada criptocromo, localizada nos olhos dessas aves, reage à luz formando pares de elétrons ligados por um fenômeno conhecido como entrelaçamento quântico.


O campo magnético terrestre poderia alterar o comportamento desses elétrons, modificando reações químicas na proteína. A teoria indica que essas alterações gerariam sinais capazes de ajudar a ave a perceber a direção do campo magnético, funcionando como uma espécie de bússola biológica.


Para Gabriela, a intersecção entre física e biologia é o que torna o campo promissor. A área busca compreender se efeitos quânticos exercem papel relevante em mecanismos fundamentais da vida.


Nos próximos anos, a jovem pretende seguir na carreira acadêmica. Planeja cursar mestrado, depois doutorado no exterior e, futuramente, tornar-se professora e liderar um laboratório próprio.


Ela avalia que o reconhecimento reforça a presença de jovens brasileiros em discussões científicas internacionais. “É um campo em expansão. Participar desse debate no início da carreira é uma responsabilidade e um incentivo para continuar”, concluiu.




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